sábado, 28 de julho de 2012

Eu queria conseguir expulsá-lo daqui. Mas parece que quanto mais eu peço forças, mais você me aparece e mais você me bagunça. Bagunçar assim, com sua simples presença, nem precisa encostar, nem precisa conversar. Me diga que truque é esse? Eu não consigo compreender. Na verdade, pouco compreendo em você. Pouco compreendo em mim. E não vou pedir por explicações. Eu só queria poder abrir essa porta atrás de mim e educadamente pedir para você se retirar. Eu queria poder dizer 'adeus', com todas as letras traduzindo a maior convicção possível porque em sua presença nada parece tão certo, é como se o sólido se condessasse, e creio que todo essa papo de química não pode ser aplicado à sentimentos. Ou pode? Me responda você com esse sorriso de lado, num tom carregado em ironia tão característico seu. Tudo em você me parece tão irônico e por ironia, só consigo te levar a sério. Isso me dá raiva. Raiva de você, de mim. Em que eu deveria descontar tudo isso, então? Me ajude a decidir antes de sair. Se bem que sua ausência já seria uma pena suficientemente árdua e longa para eu pagar.

quarta-feira, 25 de julho de 2012


E eu disse: me deixe em paz por um segundo. Vá habitar outros pensamentos, vá causar outros sofrimentos, mas deixe-me aqui, sozinha a lamuriar sua ausência.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

E o silêncio toca baixo.

Foi embora, não deu tchau. Acenei meus dedos, pedi até para distanciar-se mais rapidamente. Vá! Me deixe aqui. Só sua ausência me consolaria. Esse silêncio recíproco que sai da boca de nós dois. Entendemos nossas limitações e as aceitamos, por isso te mando embora e peço para não me escrever mais. Você não deveria aceitar, nem o silêncio e nem minhas ordens. Deveria querer ficar e fazer barulho com nós dois. Deveria querer ficar aqui, assim, comigo, ouvindo música baixinho, deitado no meu colo, recebendo as carícias dos meus dedos nesses seus fios de cabelo, nessa sua pele quente e macia, nesse seu coração que por vontade sua, nunca será desbravado por mim. Eu deveria ser forte e simplesmente aceitar, pedir para você continuar sentado a me contar suas novas aventuras, mas é mais fácil, mais comodo, que eu lhe arranque daqui, que eu grite com toda força para me deixar em paz, ouvindo o silêncio que sai da vitrola, nesse disco arranhado que você me deu. 

domingo, 15 de julho de 2012

Detetive.

Brincar de detetive pode ser divertido, mas quando a vítima do crime sou eu, o jogo muda. Você é o principal suspeito. É o enigma. E eu não quero te desvendar. Não quero descobrir o que há por trás desses olhos que me agitam e me aquietam, tudo ao mesmo tempo, assim, sem explicação. E é exatamente isso o que eu não procuro: explicação. Existe um medo que bate forte aqui dentro, bate até doer, por pouco não faz sangrar. É o medo de achar o que não quero nesse baú desconhecido. Medo de achar, não em você, mas em mim, aquilo que tanto temo. Te quero longe mas não vá embora, não. É melhor você sentar e me fazer companhia. Juro não te interrogar. Não precisa dizer nada. Não precisa me dar pistas. Sem pegadinhas. Sem nada. Afinal, minhas fichas acabaram e eu já guardei a lupa. 

O caso não foi resolvido. Arquivei.

terça-feira, 10 de julho de 2012


E como uma luva você me serviu. 
Me aqueceu desse frio. 
Tirou meus pés do chão.
Num sonho transformou essa realidade que vivo agora.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Me deixa assim...

A música vem. As palavras se escondem. Me resta um enorme sentimento. Desses indecifráveis. Desses que quero guardar sempre comigo. Abraça minha alma. Faz dormir o meu tormento. Esconde minhas inseguranças. Me aconchega, me alimenta, me segura. Me beija o rosto, a boca, o pescoço. Arrepia os meus pelos. Me bagunça. Me toca, me gosta. Na mesma intensidade que toco, que gosto, que almejo. Por isso que seguro com tanta força e guardo com carinho no bolso, pra nunca se desgastar. Pra continuar assim, fiel a forma que hoje tem. Forma moldada por mim, por você. Pra não ir embora. E continuar aqui, sempre, sempre comigo. 

sábado, 7 de julho de 2012

Terra-firme.

Me agarrar a você foi a única maneira que encontrei para salvar-me desse naufrágio. Para não afundar-me nesse oceano de sentimentos desconhecidos que me foi apresentado. E que não, não quero conhecer. Prefiro essa certeza que tenho agora. Essa certeza de nós dois. Mesmo que não seja tão certa assim, mesmo que seja somente mais uma dessas ilusões. Gosto de acreditar que agarrada a você, nenhuma onda me afogará e mesmo nadando e nadando, eu não morrerei na praia. Na verdade, em muita me agradaria se essa praia estivesse numa ilha deserta, pronta para nosso aproveitamento. A brisa batendo em meu cabelo e ao mesmo tempo me trazendo seu perfume. A luz do luar nos iluminando a noite enquanto ensaia a dança das ondas. Eu e você, alí, em terra-firme, deitados na areia fina e bronzeada, curtindo uma paz que até então, pra mim, era novidade. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012


Falaram-me dos olhos
e por maldade, não me ensinaram a usá-los.

Vá...

Não discorrerei sobre nossa breve história. Não vou pedir pra você ficar. Na verdade, faço questão de lhe abrir a porta, levar até o portão e até mesmo, pagar sua passagem. Vá pra longe, conheça, descubra e me mande correspondências, me fale sobre suas novas experiências. Com ou sem imagens, não me importa, quero suas descrições. Vá... apaixone-se pela vida na mesma intensidade da qual me apaixonei por você. Tente, pelo menos. Se conseguir, já estão aqui minhas mais sinceras congratulações. Mas não esqueça de me dar aquele abraço antes de entrar nesse carro. Aquele abraço que só você tem. Um abraço-cobertor, desses que me protege dos mais gélidos ventos, dos mais amargos sorrisos mas me ilude uma vez que me tira da realidade com hora certa pra voltar. Um abraço com passagem de ida e volta. Uma viagem sem hora pra voltar. Um presente meu pra você. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Venha.

Venha cá. Sente-se, tome um chá. Conte-me as boas, as más, as velhas, as novas, as passadas, mesmo que não tenha, me conte, me encante, me cante. Faça-me mergulhar e querer me afundar. Hipnotize-me e deixe assim, completamente fora de mim. Só assim pra eu poder gritar e aceitar esse devaneio. Você, venha cá e conte-me de sua vida. Suas experiências futuras comigo. Essas histórias alucinantes, ora apimentadas ora adocicadas que ainda vamos escrever. Não tenha medo. Diga o que quiser, sou toda ouvidos e por enquanto, toda sua.

domingo, 8 de abril de 2012

É, tentando.

(desabafo mode on) Sou dessas, sofro sozinha e por antecipação. Em dias como esses sinto em demasiado toda minha imperfeição. E não há ninguém para me fazer enxergar ao contrário. Afinal, quem poderia me conhecer tão bem assim? Queria pelo menos passar uma semana em limpo, sem essas crises. Sabe o que mais me irrita? É que tudo isso acontece por algo tão superficial, algo tão vazio, tão ridículo. Poxa... Queria, de verdade, não me importar. Queria mesmo. Sabe, viver plenamente sem motivos e compromissos. Queria só viver e poder dizer pro mundo que sou feliz e queria mais ainda ver as pessoas acreditando nisso. Mas, né... Vou continuando, tentando me manter forte. Tentanto, buscando, procurando, correndo atrás da vida. Tem dias que são difíceis mesmo. O cansaço finalmente pesa, o rosto já não suporta o sorriso e as costas, as pedras. Mas basta uma dia de descanso pra tudo voltar ao normal. A confiança volta, a vulnerabilidade fica no cantinho por uns dias, pelo menos. E assim vou seguindo. Tentando, melhor dizendo. (desabafo mode off)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sem título pra dor.

Erramos. Somos vítimas de erros alheios. E essas mesmas coisas vão acontecendo e acontecendo. Chega uma hora em que simplesmente deixamos toda esperança ir embora e daí que já começamos algo imaginando o fim. O problema é que não guardamos a dor para o espetáculo final, mas vamos usando-a de pouquinho em pouquinho com o passar do tempo. E assim vamos seguindo. Tentando seguir. E conseguindo, na melhor das hipóteses.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Tratando de criar coragem.

Sabe do que eu preciso? De coragem. Preciso saber gritar e colocar minhas angústias para fora. Sinto que enquanto aprisionar isso dentro de mim, nunca conseguirei seguir. Me tornarei pesada e tão vulnerável a tudo. Eu quero é saber resistir, saber lutar, saber ir para frente e até mesmo, saber correr atrás. Atrás de tudo aquilo que quero e almejo. Mas, no final, creio que tudo o que eu sou não passa de amontoado de fraquezas. E olha que tento ser otimista. Tento me olhar no espelho e enxergar algo um pouquinho melhor, mas não dá. É tarefa falha e por vezes, perda de tempo. Mas, como toda boa sonhadora, vou tentando me fortalecer. Sei que os obstáculos que as pessoas vão colocando em meu caminho vão servir, mesmo que tão frouxamente, para me fortificar. E nem digo que esse papo todo de obstáculos é culpa da vida, porque não é. A vida é um todo. As pessoas vão criando as circunstancias e dessas últimas, nascem os empecilhos, os contratempos, as dificuldades, as barreiras, os tropeços, o suor, o trabalho duro e por fim, o sonho. E é desses sonhos bons que um dia eu ei de sonhar e me deliciar e sair, numa manhã de sol brilhante, contando pra todo mundo, arrancando sorrisos e suspiros. É. Vou sonhando. Tentando colorir a mim mesma e ao meu mundo. Tentando colocar um pouco de alicerce sob esses pés que um dia irão viajar até para onde não podem. É. Vou vivendo. Vou tomando coragem para seguir meu caminho e levar todos vocês comigo.

sábado, 10 de março de 2012

Tão vivo quanto nós dois.

A música fúnebre que inconscientemente soava na minha cabeça decretava um dia de luto, chuvoso e frio. O contrário acontecia. O sol brilhava tão intensamente que pedras pesadas pareciam estar penduradas em meus ombros. Talvez nem por isso, afinal, eu perdi. Perdi um mundo. Normalmente, dias como esses, assim, tão esteticamente alegres, estariam recheados em tantos sorrisos e fotografia. Fotografias! Por sorte, pude guardá-las dentro dessa bolsa que carrego comigo. Agora sou eu e todas elas... sem ele. Observaria para sempre o tímido sorriso congelado de Julius. Seus cabelos negros tão bem arrumados e seus braços compridos me abraçando tão carinhosamente. O uniforme o vestia tão bem! Pensei ao admirar outra foto nossa. Ele o trajava com tanta pompa. Parecia estar com o mundo nas mãos e pelas palavras que me disse no dia, realmente estava. O sorriso da foto passada já não existia, mas eu via um imenso orgulho em seus olhos acinzentados. Orgulho! E com ele, partiu para a guerra. Defendendo nossas cores, nossa nação, nosso futuro. Foi para o leste. Contou-me por meio de sua última carta, ainda em batalha, que o frio era tão perigoso quando nossos inimigos vermelhos. Prometeu voltar assim que a vitória fosse nossa. Sucumbimos, é verdade. Mesmo assim o esperei. Continuei a observar nossas imagens. Eram várias. Ele adorava fotografar. Sempre dizia que quanto voltasse, dedicaria a vida a fotografar os mais belos lugares no mundo, inclusive, a pequena vila onde morávamos no meio daquelas enormes pastagens verdes e reluzentes. Não. Nunca permiti que ninguém tomasse o lugar que ele tinha na minha vida nesses últimos 70 anos. Se o encontrasse agora, me restaria mais vigor para continuar minha árdua caminhada. Mas minhas esperanças, a essa altura, já estão mais que distantes. Hoje, faço o caminho que há décadas atrás fazíamos todos os domingos, pela manhã. Caminhávamos algumas milhas até chegar a um dos afluentes do rio Neckar e por lá permanecíamos por algumas horas. Assim tenho feito esses últimos dias: resgatando as memórias daquele meu passado com ele. Passado que nunca passou, tenho que admitir. Já que em minha mente tudo continua tão recente. Minha aliança continua em meu dedo. O beijo de despedida que carinhosamente recebi na minha mão direita ainda parece estar fresco. E meu amor por ele, ah... continua tão límpido quanto as águas calmas e ternas que agora observo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O amor tem dessas "anças".

E aqui fala Denise. É, essa garota apaixonada pela vida, por tudo. Um tanto quanto confusa, principalmente em meio a esse mundo que não me dá tantas possibilidades de sonhar ou pelo menos, tentar. Mas, em meio a uma discussão sobre o que o amor é, cá estou eu, tentando! Confesso, não foi uma das experiências mais agradáveis, porque simplesmente é impossível entender. O amor é desses sentimentos que não se compreende, e isso me tranquiliza um pouco. Não existe uma fórmula científica para tal, não existe exatidão e nem certezas, felizmente. Se tratando de amor, só existem incertezas, digo sério. As cabeças agraciadas com tal sentimento se enchem de dúvidas. Haja interrogações, amigo! Sinto que estou rodeada por tantas nesse momento que mal consigo me situar, mas continuo tentando. E por que diabos esses pontos de interrogações estariam a me infernizar? Pois bem, eu amo, é simples. É essência. Cheio de imperfeições, mas tão genuíno, tão profundo. Falando em profundidade, sei que um dia conseguirei explicar depois de tanto tentar. Se vai levar anos, eu não sei, mas desistir não é uma das minhas palavras favoritas. Amor tem dessas: perseverança, esperança, lembrança, mudança, lambança e tantas "anças". Afinal, como eu disse em um post mais antigo, amor é plural, é carregado e tenho muito o que carregar ainda, tenho essa consciência. A verdade é que comecei a levar esse sentimento comigo muito cedo. Posso não saber o que é amar - ainda -, mas do que me serve nesse momento? O principal eu já faço: amo e com toda certeza possível. Isso basta.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Os embalos de uma noite qualquer.

Drifting body it's sole desertion, flying not yet quite the notion. ♫

La melodía.

Desci pelas vielas de Granada a sua procura. O céu estava escuro, a chuva caía fina e gélida em minha pele. Eu estava descalça. Meus pés doíam. Uma vida procurando por você, sem desistências. Onde você está? Me pergunto. Ouvia sua voz rouca, cantando poemas musicados. Seu violão, parte de sua alma, tocava a mais bela melodia flamenca que eu já ouvira na vida. Tanta beleza assim seria para narrar esse meu momento de desgraça? Novamente indagava. Ou para me guiar até você? Procurava e nada. Nem um resquício de seus traços ciganos ou de suas mãos calejadas que um dia irão tocar meu corpo esguio, nem mesmo de seus lábios finos, que irão me beijar ao som da mais festiva rumba e do mais brilhante sol de verão. Te encontrar era uma necessidade. Um esforço de uma vida toda. Eu não vou descansar até chegar a origem de tamanha beleza, essa melodia que veio narrando meus mais desesperados dias. Vuela como vuelan las personas que no piensan en mañana. Você cantava comigo. Estava a me esperar. O sorriso não brotava em minha face, apesar do otimismo. Cadê você? Passei por mais três ruelas apertadas, tal como se encontra minha alma agora. Não perguntarei por sua presença novamente. Não pensarei, também. Só ouvirei e seguirei. Meus pés sagrarão mas no final, dançarei ao som de sua melodia e seguirei por onde você me guiar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Lilac Wine.

Ultimamente uma música veio se destacando dentre todas as outras que vinha ouvindo. Sabe aquela música perfeita? Aquela que toca fundo na alma e faz com que você se esqueça de tudo? Tão perfeita, mas tão perfeita que simplesmente dá vontade de vivê-la? Pois é. Não consigo parar de ouvi-la. Não mesmo. Bem, eu nunca fui egoísta. Minha felicidade, na maioria das vezes, está em dividir o que me faz bem com as pessoas. Minhas amadas pessoas. E como minha vida vem sendo viver essa música, senti-la e amá-la, cá estou eu para dividir, mesmo que com ninguém. Pois é aí que mora um pouco do que me faz feliz. E como a própria música diz: quando eu penso mais do que quero pensar faço tantas coisas que nunca deveria fazer. Bebo muito mais do que devo beber, porque isso me leva de volta a você. ♫

domingo, 8 de janeiro de 2012

Todos os caminhos.

Estive naquele lugar, de novo. Há quanto tempo não pisava por lá? Um, dois anos? Não me lembro. A conta não sai exata, a memória falha nessa hora. Pelo menos a melhor parte eu não esqueço. Foi a mais marcante também, não é? A vida seguiu e parou, para um dos lados, infelizmente. Mas a minha continua e vou tentando me manter forte. Devo dizer até que vou conseguindo, por sorte ou esforço, não sei. Também não sei porque estou te contando isso. Acredite, passar por aquele lugar depois de tantas lembranças armazenadas não foi a melhor idéia. Revi a esquina, fiquei procurando a loja, a sorveteria, até tentei refazer a caminhada que fiz no dia em que me perdi, só para te encontrar. Tudo me levava a você. Literalmente. Na prática, todos aqueles caminhos tão confusos me guiavam até sua simplicidade, seu sorriso e todas suas bobagens. Foi por pouco tempo, não foi a melhor das experiências para mim, afinal, me coloquei tantas vezes em prova e em perigo. Mas no final de tudo, depois que o tempo passa e a gente amadurece, começamos a perceber o quanto que aquilo foi necessário. E coloque necessário nisso. Não me arrependo de ter perdido tando tempo sem você. Não mesmo. Pra que acrescentar coisa ruim no que estava bom? A lembrança agora é tão boa. É exatamente isso o que eu quero guardar para mim, de você. Hoje já não posso adicionar mais nada. É uma pena sabermos disso. Mas tenha certeza que o sorriso que estampa meu rosto nesse momento é um dos mais satisfeitos. Não existe mais rancor, raiva, tristeza. Só tenho a agradecer por fazer todos aqueles caminhos se tornarem tão memoráveis. Obrigada.

sábado, 7 de janeiro de 2012

É plural.

O bom da vida, do ponto de vista otimista, é que sempre existe tempo de redescobrir as coisas. De reviver, sabe? Hoje, revivo e descubro mais uma vez o amor. E de uma forma muito intensa e confortável para mim. Já amei de várias formas, na realidade. Eu amo amar. Assumo isso e com muito gosto, obrigada. Gosto de ter sentimentos tão vivos à flor da pele. Acredito, na verdade, que o amor não é um sentimento só. É um conjunto, uma manada. Amor é plural, sendo mais direta. Ao mesmo tempo vem a alegria ou a tristeza. O alívio ou o desespero. Vem até ódio, dependendo do caso. As vezes, vem tudo junto e é aí que mora a beleza. Porque um amor nunca será igual ao outro. Existe a possibilidade de se ligar antônimos e dar certo. Dar amor. O contrário também pode acontecer, nunca se sabe. Mas é bom pensar que tudo ficará bem e que você vai pode recomeçar. Recomeçar a viver, recomeçar a amar. Ninguém ama uma vez só. Colecionar amores é sadio, não faz mal, isso eu te afirmo. Se vivo e bem até hoje é porque se tem minha garantia. Penso que sempre existirão mais histórias, mais palavras, mais lembranças. Mais alegria, quem sabe? Ou mais raiva? Arrependimento? Talvez. Tudo depende de como você vai colher os sentimentos para formar esse amor. Se der errado. E daí? Amanhã é um outro dia e se reinventar é praticamente uma regra da vida.

Tão tarde.

Não existe arrependimento. Existe saudade, isso sim. Há em mim uma enorme vontade de voltar atrás. Não para modificar algo, mas para ter a oportunidade de viver. Hoje eu lamento, mas é claro. Se antes eu soubesse o tanto que eu perdi, e o quanto que isso me faz falta hoje, eu não deixaria tudo isso ter passado. Definitivamente não seria passado. Hoje, seria presente e amanhã, meu futuro. Mas assim é a vida. E o que me resta? Aceitar e continuar. Prosseguir caminhando com uma bagagem cheia de coisas passadas. Não há o que reclamar, na verdade. O passado me fez e o presente vai continuar me fazendo, me tornando, me sendo. Ser. É isso o que eu procuro agora. Afinal, eu já fui. Tropeçei, errei, mas armazenei tudo. Aproveitei o bom e até o ruim. Tudo serve, tudo me faz, me torna. Até ela, a saudade, uma amiga cheia de nostálgia, poesia e realidade. Isso é um desabafo. Um alerta para mim mesma, porque hoje eu só me lembro, só consigo recordar. Isso, por um certo lado é bom. Uma parte de minha vida passou, mas, infelizmente, está guardada no fundo da mala e seu eu for procurar, bem... será tarde demais. Quer dizer. É tarde demais.