Despiu-me
E seus dedos gelados fizeram florescer meu gozo
Esse que graças ao frio invernal, adormecia.
Com o raiar do sol primaveril
Me deu o prazer de ser flor.
Beija-flor.
Demos a luz a pétalas vermelhas.
Batizamos amor.
Crescemos floresta intacta, virgem.
Natureza preservada, longe de todos os males.
Sob a proteção do calor dos nossos lençóis.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
sábado, 28 de julho de 2012
Eu queria conseguir expulsá-lo daqui. Mas parece que quanto mais eu peço forças, mais você me aparece e mais você me bagunça. Bagunçar assim, com sua simples presença, nem precisa encostar, nem precisa conversar. Me diga que truque é esse? Eu não consigo compreender. Na verdade, pouco compreendo em você. Pouco compreendo em mim. E não vou pedir por explicações. Eu só queria poder abrir essa porta atrás de mim e educadamente pedir para você se retirar. Eu queria poder dizer 'adeus', com todas as letras traduzindo a maior convicção possível porque em sua presença nada parece tão certo, é como se o sólido se condessasse, e creio que todo essa papo de química não pode ser aplicado à sentimentos. Ou pode? Me responda você com esse sorriso de lado, num tom carregado em ironia tão característico seu. Tudo em você me parece tão irônico e por ironia, só consigo te levar a sério. Isso me dá raiva. Raiva de você, de mim. Em que eu deveria descontar tudo isso, então? Me ajude a decidir antes de sair. Se bem que sua ausência já seria uma pena suficientemente árdua e longa para eu pagar.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
E o silêncio toca baixo.
Foi embora, não deu tchau. Acenei meus dedos, pedi até para distanciar-se mais rapidamente. Vá! Me deixe aqui. Só sua ausência me consolaria. Esse silêncio recíproco que sai da boca de nós dois. Entendemos nossas limitações e as aceitamos, por isso te mando embora e peço para não me escrever mais. Você não deveria aceitar, nem o silêncio e nem minhas ordens. Deveria querer ficar e fazer barulho com nós dois. Deveria querer ficar aqui, assim, comigo, ouvindo música baixinho, deitado no meu colo, recebendo as carícias dos meus dedos nesses seus fios de cabelo, nessa sua pele quente e macia, nesse seu coração que por vontade sua, nunca será desbravado por mim. Eu deveria ser forte e simplesmente aceitar, pedir para você continuar sentado a me contar suas novas aventuras, mas é mais fácil, mais comodo, que eu lhe arranque daqui, que eu grite com toda força para me deixar em paz, ouvindo o silêncio que sai da vitrola, nesse disco arranhado que você me deu.
domingo, 15 de julho de 2012
Detetive.
Brincar de detetive pode ser divertido, mas quando a vítima do crime sou eu, o jogo muda. Você é o principal suspeito. É o enigma. E eu não quero te desvendar. Não quero descobrir o que há por trás desses olhos que me agitam e me aquietam, tudo ao mesmo tempo, assim, sem explicação. E é exatamente isso o que eu não procuro: explicação. Existe um medo que bate forte aqui dentro, bate até doer, por pouco não faz sangrar. É o medo de achar o que não quero nesse baú desconhecido. Medo de achar, não em você, mas em mim, aquilo que tanto temo. Te quero longe mas não vá embora, não. É melhor você sentar e me fazer companhia. Juro não te interrogar. Não precisa dizer nada. Não precisa me dar pistas. Sem pegadinhas. Sem nada. Afinal, minhas fichas acabaram e eu já guardei a lupa.
O caso não foi resolvido. Arquivei.
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