Foi embora, não deu tchau. Acenei meus dedos, pedi até para distanciar-se mais rapidamente. Vá! Me deixe aqui. Só sua ausência me consolaria. Esse silêncio recíproco que sai da boca de nós dois. Entendemos nossas limitações e as aceitamos, por isso te mando embora e peço para não me escrever mais. Você não deveria aceitar, nem o silêncio e nem minhas ordens. Deveria querer ficar e fazer barulho com nós dois. Deveria querer ficar aqui, assim, comigo, ouvindo música baixinho, deitado no meu colo, recebendo as carícias dos meus dedos nesses seus fios de cabelo, nessa sua pele quente e macia, nesse seu coração que por vontade sua, nunca será desbravado por mim. Eu deveria ser forte e simplesmente aceitar, pedir para você continuar sentado a me contar suas novas aventuras, mas é mais fácil, mais comodo, que eu lhe arranque daqui, que eu grite com toda força para me deixar em paz, ouvindo o silêncio que sai da vitrola, nesse disco arranhado que você me deu.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
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