Desci pelas vielas de Granada a sua procura. O céu estava escuro, a chuva caía fina e gélida em minha pele. Eu estava descalça. Meus pés doíam. Uma vida procurando por você, sem desistências. Onde você está? Me pergunto. Ouvia sua voz rouca, cantando poemas musicados. Seu violão, parte de sua alma, tocava a mais bela melodia flamenca que eu já ouvira na vida. Tanta beleza assim seria para narrar esse meu momento de desgraça? Novamente indagava. Ou para me guiar até você? Procurava e nada. Nem um resquício de seus traços ciganos ou de suas mãos calejadas que um dia irão tocar meu corpo esguio, nem mesmo de seus lábios finos, que irão me beijar ao som da mais festiva rumba e do mais brilhante sol de verão. Te encontrar era uma necessidade. Um esforço de uma vida toda. Eu não vou descansar até chegar a origem de tamanha beleza, essa melodia que veio narrando meus mais desesperados dias. Vuela como vuelan las personas que no piensan en mañana. Você cantava comigo. Estava a me esperar. O sorriso não brotava em minha face, apesar do otimismo. Cadê você? Passei por mais três ruelas apertadas, tal como se encontra minha alma agora. Não perguntarei por sua presença novamente. Não pensarei, também. Só ouvirei e seguirei. Meus pés sagrarão mas no final, dançarei ao som de sua melodia e seguirei por onde você me guiar.
domingo, 22 de janeiro de 2012
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Apolo do Olimpo! Que texto lindo. Simplesmente adorei a mistura que fizeste com elementos da música e da alma. Parabéns, Deni.
ResponderExcluirTambém gostei Deni,você soube muito bem usar as palavras e nos envolveu com o tormento da personagem a procura do seu amor.
ResponderExcluirObrigada, meninas lindas do meu coração! ♥
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