Drifting body it's sole desertion, flying not yet quite the notion. ♫
domingo, 22 de janeiro de 2012
La melodía.
Desci pelas vielas de Granada a sua procura. O céu estava escuro, a chuva caía fina e gélida em minha pele. Eu estava descalça. Meus pés doíam. Uma vida procurando por você, sem desistências. Onde você está? Me pergunto. Ouvia sua voz rouca, cantando poemas musicados. Seu violão, parte de sua alma, tocava a mais bela melodia flamenca que eu já ouvira na vida. Tanta beleza assim seria para narrar esse meu momento de desgraça? Novamente indagava. Ou para me guiar até você? Procurava e nada. Nem um resquício de seus traços ciganos ou de suas mãos calejadas que um dia irão tocar meu corpo esguio, nem mesmo de seus lábios finos, que irão me beijar ao som da mais festiva rumba e do mais brilhante sol de verão. Te encontrar era uma necessidade. Um esforço de uma vida toda. Eu não vou descansar até chegar a origem de tamanha beleza, essa melodia que veio narrando meus mais desesperados dias. Vuela como vuelan las personas que no piensan en mañana. Você cantava comigo. Estava a me esperar. O sorriso não brotava em minha face, apesar do otimismo. Cadê você? Passei por mais três ruelas apertadas, tal como se encontra minha alma agora. Não perguntarei por sua presença novamente. Não pensarei, também. Só ouvirei e seguirei. Meus pés sagrarão mas no final, dançarei ao som de sua melodia e seguirei por onde você me guiar.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Lilac Wine.
Ultimamente uma música veio se destacando dentre todas as outras que vinha ouvindo. Sabe aquela música perfeita? Aquela que toca fundo na alma e faz com que você se esqueça de tudo? Tão perfeita, mas tão perfeita que simplesmente dá vontade de vivê-la? Pois é. Não consigo parar de ouvi-la. Não mesmo. Bem, eu nunca fui egoísta. Minha felicidade, na maioria das vezes, está em dividir o que me faz bem com as pessoas. Minhas amadas pessoas. E como minha vida vem sendo viver essa música, senti-la e amá-la, cá estou eu para dividir, mesmo que com ninguém. Pois é aí que mora um pouco do que me faz feliz. E como a própria música diz: quando eu penso mais do que quero pensar faço tantas coisas que nunca deveria fazer. Bebo muito mais do que devo beber, porque isso me leva de volta a você. ♫
domingo, 8 de janeiro de 2012
Todos os caminhos.
Estive naquele lugar, de novo. Há quanto tempo não pisava por lá? Um, dois anos? Não me lembro. A conta não sai exata, a memória falha nessa hora. Pelo menos a melhor parte eu não esqueço. Foi a mais marcante também, não é? A vida seguiu e parou, para um dos lados, infelizmente. Mas a minha continua e vou tentando me manter forte. Devo dizer até que vou conseguindo, por sorte ou esforço, não sei. Também não sei porque estou te contando isso. Acredite, passar por aquele lugar depois de tantas lembranças armazenadas não foi a melhor idéia. Revi a esquina, fiquei procurando a loja, a sorveteria, até tentei refazer a caminhada que fiz no dia em que me perdi, só para te encontrar. Tudo me levava a você. Literalmente. Na prática, todos aqueles caminhos tão confusos me guiavam até sua simplicidade, seu sorriso e todas suas bobagens. Foi por pouco tempo, não foi a melhor das experiências para mim, afinal, me coloquei tantas vezes em prova e em perigo. Mas no final de tudo, depois que o tempo passa e a gente amadurece, começamos a perceber o quanto que aquilo foi necessário. E coloque necessário nisso. Não me arrependo de ter perdido tando tempo sem você. Não mesmo. Pra que acrescentar coisa ruim no que estava bom? A lembrança agora é tão boa. É exatamente isso o que eu quero guardar para mim, de você. Hoje já não posso adicionar mais nada. É uma pena sabermos disso. Mas tenha certeza que o sorriso que estampa meu rosto nesse momento é um dos mais satisfeitos. Não existe mais rancor, raiva, tristeza. Só tenho a agradecer por fazer todos aqueles caminhos se tornarem tão memoráveis. Obrigada.
sábado, 7 de janeiro de 2012
É plural.
O bom da vida, do ponto de vista otimista, é que sempre existe tempo de redescobrir as coisas. De reviver, sabe? Hoje, revivo e descubro mais uma vez o amor. E de uma forma muito intensa e confortável para mim. Já amei de várias formas, na realidade. Eu amo amar. Assumo isso e com muito gosto, obrigada. Gosto de ter sentimentos tão vivos à flor da pele. Acredito, na verdade, que o amor não é um sentimento só. É um conjunto, uma manada. Amor é plural, sendo mais direta. Ao mesmo tempo vem a alegria ou a tristeza. O alívio ou o desespero. Vem até ódio, dependendo do caso. As vezes, vem tudo junto e é aí que mora a beleza. Porque um amor nunca será igual ao outro. Existe a possibilidade de se ligar antônimos e dar certo. Dar amor. O contrário também pode acontecer, nunca se sabe. Mas é bom pensar que tudo ficará bem e que você vai pode recomeçar. Recomeçar a viver, recomeçar a amar. Ninguém ama uma vez só. Colecionar amores é sadio, não faz mal, isso eu te afirmo. Se vivo e bem até hoje é porque se tem minha garantia. Penso que sempre existirão mais histórias, mais palavras, mais lembranças. Mais alegria, quem sabe? Ou mais raiva? Arrependimento? Talvez. Tudo depende de como você vai colher os sentimentos para formar esse amor. Se der errado. E daí? Amanhã é um outro dia e se reinventar é praticamente uma regra da vida.
Tão tarde.
Não existe arrependimento. Existe saudade, isso sim. Há em mim uma enorme vontade de voltar atrás. Não para modificar algo, mas para ter a oportunidade de viver. Hoje eu lamento, mas é claro. Se antes eu soubesse o tanto que eu perdi, e o quanto que isso me faz falta hoje, eu não deixaria tudo isso ter passado. Definitivamente não seria passado. Hoje, seria presente e amanhã, meu futuro. Mas assim é a vida. E o que me resta? Aceitar e continuar. Prosseguir caminhando com uma bagagem cheia de coisas passadas. Não há o que reclamar, na verdade. O passado me fez e o presente vai continuar me fazendo, me tornando, me sendo. Ser. É isso o que eu procuro agora. Afinal, eu já fui. Tropeçei, errei, mas armazenei tudo. Aproveitei o bom e até o ruim. Tudo serve, tudo me faz, me torna. Até ela, a saudade, uma amiga cheia de nostálgia, poesia e realidade. Isso é um desabafo. Um alerta para mim mesma, porque hoje eu só me lembro, só consigo recordar. Isso, por um certo lado é bom. Uma parte de minha vida passou, mas, infelizmente, está guardada no fundo da mala e seu eu for procurar, bem... será tarde demais. Quer dizer. É tarde demais.
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