Brincar de detetive pode ser divertido, mas quando a vítima do crime sou eu, o jogo muda. Você é o principal suspeito. É o enigma. E eu não quero te desvendar. Não quero descobrir o que há por trás desses olhos que me agitam e me aquietam, tudo ao mesmo tempo, assim, sem explicação. E é exatamente isso o que eu não procuro: explicação. Existe um medo que bate forte aqui dentro, bate até doer, por pouco não faz sangrar. É o medo de achar o que não quero nesse baú desconhecido. Medo de achar, não em você, mas em mim, aquilo que tanto temo. Te quero longe mas não vá embora, não. É melhor você sentar e me fazer companhia. Juro não te interrogar. Não precisa dizer nada. Não precisa me dar pistas. Sem pegadinhas. Sem nada. Afinal, minhas fichas acabaram e eu já guardei a lupa.
O caso não foi resolvido. Arquivei.
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