Erramos. Somos vítimas de erros alheios. E essas mesmas coisas vão acontecendo e acontecendo. Chega uma hora em que simplesmente deixamos toda esperança ir embora e daí que já começamos algo imaginando o fim. O problema é que não guardamos a dor para o espetáculo final, mas vamos usando-a de pouquinho em pouquinho com o passar do tempo. E assim vamos seguindo. Tentando seguir. E conseguindo, na melhor das hipóteses.
sexta-feira, 30 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Tratando de criar coragem.
Sabe do que eu preciso? De coragem. Preciso saber gritar e colocar minhas angústias para fora. Sinto que enquanto aprisionar isso dentro de mim, nunca conseguirei seguir. Me tornarei pesada e tão vulnerável a tudo. Eu quero é saber resistir, saber lutar, saber ir para frente e até mesmo, saber correr atrás. Atrás de tudo aquilo que quero e almejo. Mas, no final, creio que tudo o que eu sou não passa de amontoado de fraquezas. E olha que tento ser otimista. Tento me olhar no espelho e enxergar algo um pouquinho melhor, mas não dá. É tarefa falha e por vezes, perda de tempo. Mas, como toda boa sonhadora, vou tentando me fortalecer. Sei que os obstáculos que as pessoas vão colocando em meu caminho vão servir, mesmo que tão frouxamente, para me fortificar. E nem digo que esse papo todo de obstáculos é culpa da vida, porque não é. A vida é um todo. As pessoas vão criando as circunstancias e dessas últimas, nascem os empecilhos, os contratempos, as dificuldades, as barreiras, os tropeços, o suor, o trabalho duro e por fim, o sonho. E é desses sonhos bons que um dia eu ei de sonhar e me deliciar e sair, numa manhã de sol brilhante, contando pra todo mundo, arrancando sorrisos e suspiros. É. Vou sonhando. Tentando colorir a mim mesma e ao meu mundo. Tentando colocar um pouco de alicerce sob esses pés que um dia irão viajar até para onde não podem. É. Vou vivendo. Vou tomando coragem para seguir meu caminho e levar todos vocês comigo.
sábado, 10 de março de 2012
Tão vivo quanto nós dois.
A música fúnebre que inconscientemente soava na minha cabeça decretava um dia de luto, chuvoso e frio. O contrário acontecia. O sol brilhava tão intensamente que pedras pesadas pareciam estar penduradas em meus ombros. Talvez nem por isso, afinal, eu perdi. Perdi um mundo. Normalmente, dias como esses, assim, tão esteticamente alegres, estariam recheados em tantos sorrisos e fotografia. Fotografias! Por sorte, pude guardá-las dentro dessa bolsa que carrego comigo. Agora sou eu e todas elas... sem ele. Observaria para sempre o tímido sorriso congelado de Julius. Seus cabelos negros tão bem arrumados e seus braços compridos me abraçando tão carinhosamente. O uniforme o vestia tão bem! Pensei ao admirar outra foto nossa. Ele o trajava com tanta pompa. Parecia estar com o mundo nas mãos e pelas palavras que me disse no dia, realmente estava. O sorriso da foto passada já não existia, mas eu via um imenso orgulho em seus olhos acinzentados. Orgulho! E com ele, partiu para a guerra. Defendendo nossas cores, nossa nação, nosso futuro. Foi para o leste. Contou-me por meio de sua última carta, ainda em batalha, que o frio era tão perigoso quando nossos inimigos vermelhos. Prometeu voltar assim que a vitória fosse nossa. Sucumbimos, é verdade. Mesmo assim o esperei. Continuei a observar nossas imagens. Eram várias. Ele adorava fotografar. Sempre dizia que quanto voltasse, dedicaria a vida a fotografar os mais belos lugares no mundo, inclusive, a pequena vila onde morávamos no meio daquelas enormes pastagens verdes e reluzentes. Não. Nunca permiti que ninguém tomasse o lugar que ele tinha na minha vida nesses últimos 70 anos. Se o encontrasse agora, me restaria mais vigor para continuar minha árdua caminhada. Mas minhas esperanças, a essa altura, já estão mais que distantes. Hoje, faço o caminho que há décadas atrás fazíamos todos os domingos, pela manhã. Caminhávamos algumas milhas até chegar a um dos afluentes do rio Neckar e por lá permanecíamos por algumas horas. Assim tenho feito esses últimos dias: resgatando as memórias daquele meu passado com ele. Passado que nunca passou, tenho que admitir. Já que em minha mente tudo continua tão recente. Minha aliança continua em meu dedo. O beijo de despedida que carinhosamente recebi na minha mão direita ainda parece estar fresco. E meu amor por ele, ah... continua tão límpido quanto as águas calmas e ternas que agora observo.
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