domingo, 11 de abril de 2010

Passado.

É algo que eu realmente tento não lembrar. Não gosto de trazer a tona novamente toda a dor que senti quando as pedras foram jogadas em mim, também não gostei nada de ver o mundo tornando-se negro. Hoje eu apenas admiro as nuvens cinzas e o vento gélido. Mas o vazio, a dor, o escuro, precisa manter-se exageradamente muito longe de mim. Não gosto de lutas e creio que a mais sangrenta delas seria a luz do meu presente contra meu passado negro. Passado esse que me fez ser o que sou hoje. Passado que me fez crescer, mas eu realmente senti como se eu estivesse despencando ao lado de um arranha-céu. É complicado, é incrível, mas eu ainda me sinto tão repugnante diante daqueles fatos. Tão frágil.

Eu ainda gosto de me sentir pequena, mas somente quando sei que terei braços gigantes para me aquecer. Até porque é sempre bom ter uma garantia, um prazo. Mesmo que pequeno. Mas eu ainda sinto-me mal. E por saber os papéis estão invertidos. Talvez eu tenha matado o vilão e então ficado com o papel. Li o roteiro por milhões de vezes, e hoje o repito toda vez que preciso. Agora necessito de força para rasgar o papel e passar a borracha no erro.

2 comentários:

  1. É ruim ser dependente, né?
    Me refiro à necessidade de "ter braços gigantes".
    Seu post foi poéticamente realista.
    Legal que expôes você um pouco mais do que eu via, ou que me mostrava. rs

    Mas falando da grámatica e escrita, agora:
    Bem, é um texto muito bem estruturado, cada linha, virgula muito bem exposta com norma culta, até. Muito belo!

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  2. Acho que nunca sabemos realmente o que autor quer dizer, mas pelo que eu compreendi pela ideia apresentada, é realmente um texto muito bom.
    É como dizem, 'o passado esta sempre esperando para bagunçar o presente novamente'.
    Parabéns best *-*

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